A Long Story...

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Quando decidi ser voluntária no Serviço de Ambulância da Cruz Vermelha, a minha intenção era contribuir para a comunidade, visto ter consciência que tinha uma vida muito afortunada.
E foram dois anos de muitas aprendizagens , de assistir a desespero, ansiedade, miséria, sofrimento, morte...
Mas a situação que mais me marcou foi a seguinte:

Eram umas 23 horas quando fomos chamados para assistencia a uma senhora que tinha caido. Quando lá chegamos, a algo que nem sei bem como descrever pois era uma especie de barraca em que o chão era calçada, as paredes cortinas de correr. A tal senhora tinha algumas escoriações mas preferia ir ao hospital por segurança. E cheirava a alcool a kilometros...
Nessa "sala" estava uma criança franzina, com uns 8 anos de idade apavorada. A minha chefe apercebeu-me da aflição do miudo e deu-lhe um abraço. Ele começou a chorar copiosamente... Ela tentou consola-lo e garantir que estava tudo bem, que dentro em breve a mãe estaria de volta. Fomos procurar um adulto para ficar com o miudo e o resto das crianças que estavam a dormir, e lá uma vizinha se disponibilizou para ficar com eles.
Levamos a senhora, voltamos para a base...
Eu vinha virada do avesso... Que raiva , que injustiça! Como era possivel numa casa de nitida miseria aquela mae irresponsavel colocar as crianças naquela situação! Gastar dinheiro em alcool! E ainda se espalhar!
Confidenciei à minha chefe, que há dois anos tentava ser mãe sem sucesso, como estava revoltada com aquela situação e como me tinha custado dar assistencia aquela senhora, porque o que me apetecia era dar-lhe um par de estalos.

A minha chefe respondeu-me:
- Laura, não julgues os outros pela tua bitola. Tu não conheces a historia daquela senhora, tu não sabes como foi , como é a vida dela...Não te cabe a ti julgar ninguém...E se pensares bem, o tipo de ferimentos que ela tem não foi por ter caido por estar embriagada. Alguem lhe bateu.... Estás aqui porque te disponibilizaste para ajudar os outros.

Foi nesse momento que comecei a desconfiar que nem tudo era preto ou branco nesta vida...

Obvio que levei mais uns aninhos para compreender realmente a dimensão daquela conversa, mas foi mais marcante para mim do que ver pernas e braços estilhaçadas, cabeças abertas, etc...

E ontem, que reunimos a equipa de trabalho para limar as arestas dos relacionamentos e forma de comunicar internamente, voltei a recordar-me desta situação...

Tolerância e focar-se no propósito que nos move!



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